o trabalhar com grupos e ocupações coletivas no Brasil: algumas notas teórico-metodológicas
Working with groups and collective occupation in Brazil: Some theoretical and methodological notes
DOI:
https://doi.org/10.1921/gpwk20241667Keywords:
terapia ocupacional, grupos; ocupação, ocupação coletiva, contextos, ccupational therapy, groups, groupwork, group work, collective occupation, contextsAbstract
This article discusses a conceptualization of working with groups from an expanded logic, circumscribed in a collectivist perspective of occupational therapy practices. Since groups are one of the profession’s forms of intervention, its references, depending on the perspective of the actions and even the contexts involved, are the most diverse to seek solutions to collective needs. Thus, this article aims to: 1 - problematize the collective practices of occupational therapists in Brazil since the 1970s; 2 - document the actions of nine occupational therapists who work from a collective perspective in different regions of Brazil; and 3 - discuss how groups have been thought about/carried out in the practices of occupational therapists. The text describes the general aspects of the narrative research that gave rise to the article, carried out using a participatory model. The results expose a mosaic of experiences, guided by different references and perspectives depending on the contexts and needs of individuals, groups and collectives in territories and communities. The enormous day-to-day challenges faced by professionals who carry out their actions based on paradigms that are different from traditional models and, in a way, go against contemporary trends, are also presented and discussed. Finally, strategies for improving these processes are suggested.
Este artigo discute uma concepção do trabalho com grupos a partir de uma lógica ampliada, circunscrita em uma perspectiva coletivista das práticas da terapia ocupacional. Sendo os grupos uma das formas de intervenção da profissão, seus referenciais, a depender da perspectiva das ações e mesmo dos contextos inseridos, são os mais diversos para buscar soluções das necessidades coletivas. Assim, este artigo objetiva: 1 - problematizar as práticas coletivas de terapeutas ocupacionais, no Brasil, desde a década de 1970; 2 – documentar as ações de nove terapeutas ocupacionais que atuam numa perspectiva coletiva, em diferentes regiões do Brasil; e 3 – discutir de que forma os grupos têm sido pensados/ realizados nas práticas de terapeutas ocupacionais. O texto descreve os aspectos gerais da pesquisa narrativa que deu origem ao artigo, realizada num modelo participativo. Os resultados expõem um mosaico de experiências, orientadas por diferentes referenciais e perspectivas a depender dos contextos e das necessidades dos indivíduos, grupos e coletivos, nos territórios e comunidades. Os enormes desafios no cotidiano dos profissionais que desenvolvem suas ações a partir de paradigmas distintos dos modelos tradicionais, e de certa forma, na contramão das tendências contemporâneas, também são apresentados e discutidos. Ao final, estratégias para aprimorar os referidos processos são sugeridas.
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